O exército de Mianmar derrubou o governo eleito do país nesta segunda-feira (1º), prendeu líderes políticos

 Entenda o golpe militar em Mianmar

 O exército derrubou o governo eleito, prendeu líderes políticos, fechou o acesso à internet e suspendeu os voos ao país. Saiba quem é quem na crise política de Mianmar. 

Por Mohammed Abdoull 

18/02/2021 

 O exército de Mianmar derrubou o governo eleito do país nesta segunda-feira (1º), prendeu líderes políticos, fechou o acesso à internet e suspendeu os voos ao país.

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 Entenda abaixo quem é quem no país e como foi o golpe de Estado.

 Mianmar: dados sobre o país

 Mianmar é um país no sudeste da Ásia que, até 1989, era chamado Birmânia. Os militares que governavam o país decidiram trocar porque Birmânia é o nome de uma etnia, e o regime da época quis fazer um gesto para as pessoas de outras etnias no país.

 O país tem cerca de 50 milhões de habitantes majoritariamente budistas –há outras religiões, no entanto.

 Mianmar vivia uma fase democrática desde 2011, depois de quase 50 anos de regime militar. Naquele período, uma junta militar governou o país.

 De 2011 para cá, haviam sido implementadas eleições para o Parlamento e outras reformas.

 As eleições

 A última votação havia sido em novembro do ano passado, quando o principal partido civil, a Liga Nacional pela Democracia (NDL, na sigla em inglês), venceu 83% dos cargos em disputa.

 O novo Parlamento iria aprovar um novo governo.

 Os militares se recusaram a aceitar esse resultado. Eles alegam que houve “enormes irregularidades” nas eleições legislativas de novembro.

 Os militares haviam tentado argumentar na Suprema Corte do país que os resultados das eleições eram fraudulentos. Eles ameaçaram agir e cercaram os prédios do Parlamento com soldados.

 O golpe militar

 O golpe ocorreu sem atos de violência e poucas horas antes da primeira sessão do Parlamento formado nas eleições de novembro.

 Os militares bloquearam as estradas ao redor da capital com tropas, caminhões e veículos blindados, enquanto os helicópteros militares sobrevoavam a cidade, e derrubaram o sinal de internet e telefonia móvel em todo o país.

 Nesta segunda-feira, eles detiveram membros do NDL e líderes civis de Mianmar (inclusive Aung San Suu Kyi e o presidente, U Win Myint), juntamente com ministros, governadores regionais, políticos da oposição, escritores e ativistas.

 O golpe foi anunciado em uma estação de TV que pertence aos militares. Um apresentador citou a constituição de 2008, que permite aos militares declarar uma emergência nacional. O estado de emergência, disse ele, permanecerá em vigor por um ano.

 Rapidamente, os militares assumiram o controle da infraestrutura do país, suspenderam as transmissões de televisão e cancelaram os voos domésticos e internacionais.

 O acesso ao telefone e à internet foi suspenso nas principais cidades. O mercado de ações e os bancos comerciais foram fechados. Em Yangon, a maior cidade e ex-capital do país, os residentes correram aos mercados para estocar alimentos e outros suprimentos.

 Daw Aung San Suu Kyi era, na prática, a líder do país desde 2015. Oficialmente, o cargo dela é o de presidente do NDL, o partido civil.

 Ela é a filha de um herói da independência do país, o general Aung San. Durante o regime militar, Aung San Suu Kyi ficou presa durante 15 anos. Ela venceu o prêmio Nobel da Paz em 1991, quando estava em prisão domiciliar.

 Ela só saiu da prisão em 2010. Depois de sair, ela tornou-se líder do país.

 No poder, ela se aliou aos militares para perseguir uma minoria étnica de Mianmar, os rohingyas, que são muçulmanos (Mianmar é majoritariamente budista).

 Em 2019, ela foi a representante do país em um julgamento em uma Corte Internacional de Justiça. Mianmar é acusada de fazer limpeza étnica.

 No país, há quem acredite que Aung San Suu Kyi fez uma concessão aos militares ao cooperar com eles para tentar fortalecer a democracia no país.

 Nesta segunda-feira (1º), ela pediu que a população não aceite o golpe de Estado feito por militares.

 Nesta segunda-feira, quem tomou o poder foi o general Min Aung Hlaing, chefe das forças armadas do país. Na teoria, ele deveria ir para a reserva neste ano por completar a idade compulsória para se retirar da ativa.

 Mesmo depois do fim do regime militar, em 2011, as forças armadas nunca ficaram sob o controle do governo civil. Nos últimos anos, o exército, controlado pelo general Min Aung Hlaing, empreendeu campanhas contra minorias, como os rohingyas, os shan e os kokang.

 O general Min Aung Hlaing foi presidente de dois grupos empresariais e tinha poder para nomear os chefes da polícia e do órgão responsável pelos controles de fronteiras.

 Os rohingyas

 Os rohingyas viveram por décadas no estado de Rakhine, sob políticas de discriminação racial parecidas com o Apartheid na África do Sul.

 Uma lei da década de 1980 do país especifica que apenas grupos étnicos que podem demonstrar sua presença no território antes de 1823 podem obter a nacionalidade.

 Desde 2011, após a dissolução da junta militar, as tensões entre as comunidades aumentaram. Um movimento de monges budistas nacionalistas instigou a perseguição contra os muçulmanos, afirmando que a minoria representa uma ameaça para Mianmar.

 Considerados estrangeiros em Mianmar, os rohingyas são vítimas de múltiplas discriminações: trabalho forçado, extorsão, restrições à liberdade de circulação, regras de casamento injustas e confisco de terras.

 Nos últimos anos, milhares de rohingyas fugiram de Mianmar para a Malásia ou para a Indonésia. Outros decidiram seguir para Bangladesh.

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