Governo nega existência de cidadãos que se alimentam do Lixo

Huambo – O aterro sanitário “alternativo” que está a ser utilizado no Huambo é, sem sombra de dúvidas, uma autêntica “bomba atómica”, que os moradores do bairros periféricos convivem todos os dias. 

Há muito que os cidadãos do Huambo clamam pela conclusão das obras do aterro sanitário, cuja empreitada começou em 2012, mas até ao momento não está concluída, por alegada dificuldade financeira. A infraestrutura está localizado no município da Caála, a sensivelmente 20 quilómetros da sede da província, no bairro Ngonguinga, numa área de 100 hectares. De resto, estamos diante de um projecto concebido para transformar a cidade Planaltica num verdadeiro oásis ecológico de Angola.

 

Avaliada em cerca de 16 biliões de Kwanzas, a obra integra a lista de “elefantes branco” da província. Esta empreitada de subordinação central, para além da sua paralisação, a via de acesso constitui outro quebra-cabeças: estradas  completamente degradadas. Desde 2020 que a empreitada ficou sob responsabilidade do Ministério da Construção, que tem contrato com a empresa Angolaca. Segundo as nossas fontes, a empreiteira só não avançou com os trabalhos por falta de pagamentos do dono da obra.

 

O aterro sanitário do Huambo afigura-se numa autêntica obra de “kilapi”. O grupo Lena Construção, reclama o pagamento de mais de 100 milhões de kwanzas de “trabalhos adicionais”, que não estavam previstos, mas foram executados.

 

Verdade, porém, é que passado cerca de uma década, a conclusão da obra ainda é uma miragem, e o lixo continua a representar um problema de saúde pública, uma vez que os resíduos sólidos produzidos pelos citadinos tem sido depositado nos arredores do perímetro florestal do Sacaála, tal como radiografamos, através de um vídeo, que está a circular nas redes sociais, feito no dia 21 deste mês. As imagens são evidentes, e o registo da memória interna do telefone atestam a veracidade dos factos.

 

Mostramos sem maquiagem a existência de populares, incluindo crianças, que fazem do lixo o seu ganha-pão, ou seja, vivem do lixo e estão expostos como um “lixo humano”.

 

Paradoxalmente, as entidades administrativas do Huambo querem fazer crer que a realidade de famílias que sobrevivem do lixo é uma mera criatividade do cidadão Luís de Castro. Só um mentiroso compulsivo é capaz de negar que o actual local de depósito de resíduos sólidos tornou-se o garante de alguns moradores da zona próxima do Sacaála para matar a fome, tal como as imagens ilustram.

 

Numa tentativa de descredebilizar o vídeo que está a circular, o governo provincial orientou uma “limpeza” no aterro sanitário, e está em marcha uma campanha de vitimização contra as autoridades governamentais.

 

Tal como aconteceu aquando da publicação do artigo “HGH: A ‘mina de ouro’ dos governantes do Huambo”, entre outras “denúncias” de minha autoria, o Governo local, nas vestes de “Aprendiz de Gestor”, tenta a todo custo justificar o injustificável, promovendo mais uma operação de “lavandaria” da imagem desgastada dos delapidores do erário público do Huambo.

 

Ao invés dos (des)governantes preocuparem-se, efectivamente, com o tratamento apropriado dos resíduos sólidos e/ou sensibilizar-se com as imagens e pressionar o governo central (ministério da Construção), evitando, desse modo, que os moradores da zona adjacente ao local sejam brindados com o mau cheiro, moscas, baratas e ratos, os “gestores paraquedistas” estão focados em promover um assassinato de carácter contra o autor da denúncia sobre a miséria extrema de crianças e adultos que comem “lixo” no lixo.

 

Estamos expectantes pelo término das obras do aterro sanitário do Huambo para que o mesmo possa servir de depósito de alguns governantes incompetentes, que não passam de meros “cadáveres políticos”.

 

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