“Preferi ficar por Portugal, há mais segurança e disciplina”

 Muitos são os estrangeiros que têm a segunda casa em Portugal, em geral são reformados europeus que aqui vêm passar grandes temporadas durante o ano: ingleses, franceses, suecos, italianos, espanhóis, holandeses, etc. Alguns até fazem da residência portuguesa a primeira, visitando frequentemente os países de origem. A pandemia alterou esta realidade e muitos optaram por permanecer no domicílio português. As restrições do transporte aéreo e as medidas de confinamento a isso obrigaram, mas há quem tenha ficado por se sentir mais protegido contra a covid-19.

“Neste ano, optámos por não viajar, ficámos muito mais tempo em Portugal. Não só porque as deslocações são complicadas mas porque nos sentimos bem e em segurança. O governo português teve boas medidas e aplicou-as bem“, 

Eva é uma sueca de Estocolmo que se fixou há cinco anos em Cascais com o marido depois de se reformar do seu cargo de direção. Viajava até Estocolmo cinco a seis vezes por ano. O seu caso é idêntico a muitos outros estrangeiros que compraram casa em Portugal para desfrutar do clima e da paisagem, frequentadores assíduos do golfe da Quinta da Marinha, em Cascais.
As jogadoras concentram-se no swing para garantir a melhor tacada na Liga Weekly, o torneio feminino. Um dos grupos é constituído por suecas e uma japonesa. Madalena Algotsson, 60 anos, elogia não só as autoridades públicas como a atitude da população. “Estamos muito bem, sentimo-nos muito seguros. Os portugueses comportam-se muito bem, usam sempre a máscara, são cumpridores das regras. Na Suécia, a máscara não é obrigatória no exterior além de que as pessoas não cumprem as regras. Uma das razões por que me mantive por cá é por causa do bom comportamento dos portugueses”. Também trocou Estocolmo por Cascais há três anos.
Completam o grupo, Christel Molinder, uma sueca de 63 anos que nasceu em Gutenberg mas passou a vida adulta na capital, e Rié Kikuoka, 60, de Nagoya, Japão. Partilham da opinião sobre o clima de segurança face à covid-19 em território português e evitaram as deslocações para fora do país. Circulação que teve muitas limitações, também, pelas medidas de confinamento impostas nos seus países.

Fonte  Diário de Notícias

30 Abril,2021

Só podemos entrar no Japão com um teste negativo e, mesmo assim, temos de ficar duas semanas num hotel. Não podemos apanhar transportes públicos“, lamenta Rié. Sente-se

segura a nível sanitário mas nem todos os residentes em Portugal lhe merecem elogios. “Há muitos jovens que não usam máscara”, protesta.

Christel confia nas autoridades portuguesas. “Portugal está muito melhor do que a Suécia, onde há menos restrições e, neste momento, tem muitas pessoas infetadas. Foi uma boa opção ficar por cá.”

Os dados deste domingo indicavam 938 342 cidadãos na Suécia que testaram positivo à covid, o que dá 92 442 por um milhão de habitantes, proporção acima da portuguesa (82 030). O país não impôs restrições no início da pandemia, apostando na imunidade de grupo, estratégia que as autoridades de saúde alteraram dada a progressão rápida do SARS-Cov-2 e a sua gravidade. O Japão tem um total de 546 425 casos – representa 4331 por milhão de residentes.

Califórnia da Europa

Eva e as amigas conheceram-se em Cascais, vila que já foi apelidada de “Califórnia da Europa” e “Riviera”. Ali têm residência 30 328 cidadãos estrangeiros, o que representa 14,2% da sua população (213 608 pessoas). Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) vivem em Portugal 4912 suecos e 16,3% no concelho.

O grupo de jogadoras vai esperar calmamente pela vez na vacinação, só depois pensam voltar a viajar. Eva Wigren concorda com o estabelecimento de prioridades do plano de vacinação nacional: “Definiram categorias, primeiro os profissionais que lidam diretamente com os doentes de covid-19. Entretanto, alargaram o leque às pessoas de mais idade, também com maiores problemas de saúde”, justifica.

Da França, mas de Paris, veio há dois anos Jean Brunel, agora com 60. Tem casa em Lisboa e passa uma boa parte do tempo no campo de golfe da Quinta da Marinha, com vista para o Atlântico. “Tem o melhor percurso de Portugal [18 buracos] e o segundo melhor da Europa”, assegura.

Jean Brunel não foi a Paris no último ano. “Preferi ficar por Portugal, sinto que há mais segurança e disciplina. As medidas que foram implementadas tiveram resultados muito rapidamente, o número de infe

tados tem vindo a decrescer regularmente, o que demonstra que as pessoas são respeitadoras das regras. Estou sempre a comparar os números e, neste momento, o país está muito melhor do que outros europeus, particularmente a França.”

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