Justiça aperta o cerco às empresas de Donald Trump

 A procuradora do estado de Nova Iorque revelou que o inquérito às finanças da Trump Organization passou a ter natureza penal. Ex-presidente diz-se “injustamente atacado e maltratado pelo sistema político corrupto”.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo gabinete da procuradora-geral do estado de Nova Iorque, Letitia James: “Estamos agora a investigar a Trump Organization do ponto de vista penal, em colaboração com a procuradoria de Manhattan”, afirmou um porta-voz da procuradora. Até agora, a investigação estava limitada ao âmbito cível, pelo que as penas mais pesadas a aplicar em caso de condenação seriam multar o grupo empresarial que controla centenas de empresas do ramo da hotelaria, imobiliário e lazer.

Não são conhecidos os detalhes do que está em causa nesta investigação, mas para o antigo vice-procurador de Manhattan, citado pelo The Hill,(link is external) “tudo indica que se trata de uma investigação absolutamente grave”. “Se ela vai acabar numa acusação a pessoas, incluindo o presidente, nesta altura é impossível dizer. A resposta a essa questão depende se há provas de que o presidente participou numa fraude financeira”, acrescentou Daniel Horwitz.

Para evitar a sobreposição de invetigações, a procuradoria do estado está a colaborar com a de Manhattan, dirigida por Cyrus Vance, que há três meses venceu a longa batalha jurídica para ter acesso às declarações fiscais de Donald Trump.

Segundo o New York Times(link is external), na mira a investigação estão pagamentos feitos ao responsável financeiro do grupo, Allen Weisselberg, que incluíram automóveis e o pagamento de propinas numa escola privada a pelo menos um dos seus netos. Em causa estão as suspeitas de não terem sido pagos impostos sobre estes pagamentos. Outros altos responsáveis do grupo também terão recebido estes bónus, indica o diário nova-iorquino. A nora de Weisselberg disse que os procuradores a interrogaram sobre as propinas, bem como outras ofertas recebidas de Trump. Segundo Jennifer Weisselberg, o seu marido recebeu também de Trump um apartamento junto ao Central Park e vários automóveis.

Além disso, há suspeitas de que  a empresa tenha sobrevalorizado os seus ativos para obter condições mais favoráveis de financiamento, enquanto os subvalorizava para poder reduzir os impostos devidos.

Donald Trump não demorou muito a reagir a este agravar das possíveis consequências penais da investigação. “Construí uma grande empresa, dei emprego a milhares de pessoas, e tudo para agora ser injustamente atacado e maltratado pelo sistema político corrupto”, afirmou o ex-presidente numa declaração. Enunciando o que considera serem os maiores feitos do seu mandato, Trump conclui que seria melhor que o esforço da Procuradoria “fosse aplicado nas cada vez mais perigosas ruas e passeios de Nova Iorque”.

Trump prepara-se para voltar aos comícios de campanha no próximo mês e mantém a vontade de se recandidatar às presidenciais de 2024 pelo Partido Republicano. Segundo as sondagens, os seus eleitores continuam a apoiá-lo e acreditam que estas investigações são a sequência de outras, como a das suspeitas de conluio com a Rússia ou a do afastamento do diretor do FBI, e que por detrás delas está a intenção do “establishment” de o perseguir para o destruir politicamente. “Esta psicologia da vitimização funciona muito bem”, sublinha ao The Hill um dos estrategas de campanha dos republicanos, Keith Naughton. 

Por Moussa Garcia

21 Maio,2021

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