CHEFE DO REGIME ORDENA MATAR O SISTEMA

 

  

 CHEFE DO REGIME ORDENA MATAR O SISTEMA

 Suscita-se à análise do sentido e o alcance de uma das frases mais ousada e perigosa de Sua Excelência o senhor Presidente da República e do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, proferidas no dia 05 de Abril do corrente ano, em Ondjiva, Província do Cunene, no acto de lançamento da propaganda de odio e atrofiamento da probidade pública, quando dizia e passo a citar: o MPLA deve recuperar os 20% perdidos nas últimas eleições e afundar a oposição até não poder recuperar; fim da citação.

 • Reduzir a oposição até não recuperar mais?!

 • O que significa dizer com isso?

 • Rasgar a Constituição e a lei?

 • Voltar ao regime autocrático de partido único?

 • Matar o sistema político actual ou seja, acabar com o multipartidarismo?

 • Eliminar todas as conquistas de paz e democracia que o país obteve até aqui?

 • O que é que Angola e os angolanos lograriam com isso?

 De entre todas as palavras, actos, contradições e omissões demonstradas por Sua Excelência o senhor Presidente da República e do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, no decurso do seu mandato, esta frase, é a mais perigosa de tudo.

 Se nos atermos ao princípio de que todo o discurso do Presidente de um Partido político, constitui-se em norma e instrumento de trabalho; e se tivermos em consideração que todo o discurso de um Chefe de Estado e ou Presidente da República, é igualmente, um guião de trabalho para as instituições do país; se avaliarmos, devida e cuidadosamente o modus operandis e de funcionamento das instituições de Angola, diante da frase em epígrafe, podemos concluir que Sua Excelência estará em linha de aplicar o modelo da autocrácia da Russia de Putin e da Turquia de Erdogan, regimes que por sinal são da sua simpatia e preferência. Daí sem rodeios, ter exteriorizado, exprimido o pensamento daquilo que pretende fazer.

 

 Puxando um pouco a memória, afinal, não foi por acaso o genocídio do dia 30 de Janeiro de 2021, perpetrado na vila de Cafunfo, Município do Cuango, Província da Lunda-Norte, contra a população indefesa que a propaganda do regime inverteu contra as vítimas.

 Agora sim, já se pode entender a ideia subjacente da queima do Comité do MPLA pelo próprio regime e a vandalização do autocarro público, no dia 10 de Janeiro de 2022, no Distrito do Benfica, cidade de Luanda em decorrência da greve pacífica dos taxistas que a máquina propagandista do grupo sectário tentou inverter contra a UNITA.

 Agora sim, já se pode depreender do acto terrorista que ocorreu contra os militantes da UNITA no Município do Sanza Pombo, Província do Uige, no dia 19 de Março do corrente ano que a propaganda do regime inverteu contra as vítimas.

 Agora sim, está claro e evidente a retoma mais acutilante das ordens superiores que vão estilhaçando com o terror todas as instituições do Estado e por conseguinte o povo.

 Agora sim, já se pode entender do porque de todo o desfile de infiltrações e instrumentalização de alguns tribunais que, eivados de terrorismo de estado vão amordaçando a Constituição, a lei e o Estado democrático e de Direito.

 Agora sim, o país já se apercebeu da razão do incremento da repressão violenta dos manifestantes e da negação dos serviços públicos de qualidade na saúde, educação e áreas afins (o desprezo dos médicos e professores do ensino superior em greve é o exemplo mais acabado).

 Agora sim, o povo entendeu a razão da criação de grupos de lunáticos que vão intoxicando as televisões, e as redes sociais fazendo campanhas de desinformação e manipulação com o objectivo de pôr em causa a estabilidade e a segurança do Estado.

 Aquele discurso do dia 05 de Abril do corrente ano, do meu ponto de vista faz parte da estratégia e é o prelúdio da preparação da fraude eleitoral sem precedentes e a eliminação do estado democrático e de direito em Angola?

 Deste modo e em cumprimento do mote dado por Sua Excelência o senhor Presidente da República e do MPLA, doravante passaremos a assistir o seguinte cenário:

 1. Sistematização e instrumentação da imprensa pública e tutelada com a propaganda de conteúdos tóxicos de desinformação e manipulação;

 2. Uso impiedoso de supostos militantes e ou quadros da UNITA para destilar ódio e desinformação da opinião pública contra a UNITA;

 3. Massificação de campahas de dividir e descredibilizar a UNITA e a Frente Patriótica Unida;

 4. Massificação da campanha de corrupção eleitoral com a distribuição de fuba de milho, peixe seco, latarias diversas, adubos, garrafões de vinho, maratonas alcoólicas e outros meios;

 5. Intensificação da propaganda de gestão de expectativas dos eleitores através de promessas de obtenção de créditos bancários e outras promessas infundadas;

 6. Intensificação da tática retórica com o discurso de guerra para criar o medo e o terror ao povo;

 7. Intensificação de práticas de intolerância política, acompanhada de repressão e assassinatos com o objectivo de criar o pânico e a pressão psicológica aos eleitores de formas a criar um clima para a subversão dos resultados eleitorais;

 8. Dissiminação de sondagens falsas com supostas vantagens para o Partido Estado e o seu candidato com o objectivo de manipular e enganar o povo;

 9. Exaltação e culto dos feitos do MPLA e o seu candidato na imprensa pública e tutelada em regime nó stop;

 10. Uso abusivo dos meios públicos por parte do presidente do MPLA, Governadores provinciais, administradores municipais, distritais e comunais, para a campanha eleitoral.

 Aqui chegados, todos nos devemos mobilizar para a defesa do nosso voto.

 Para o efeito, vota, fica e controla até a afixação dos resultados na Mesa de Assembleia de votos.

 Luanda, 13 de Abril de 2022. –

 Joaquim Nafoia

 Deputado

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