TRABALHADORES DA TAAG ENVIAM CARTA ABERTA PARA JOÃO LOURENÇO O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 

À

Sua Excelência Presidente da República de Angola

Assunto: Carta aberta sobre a TAAG.

Mais uma vez o Sr. Presidente da República é confrontado com um desconfortante presente envenenado vindo do seu ministro dos transportes, Sr. Ricardo de Abreu, na assinatura de acordos no domínio de transportes aéreos com Cabo Verde, envolvendo a TAAG e sua homóloga TACV num compromisso de a TAAG ceder suas aeronaves B737NG e seu pessoal para operação comercial de passageiros nas rotas caboverdianas.

A operadora TAAG desde um tempo a esta parte, tem atravessado uma série de problemas em manter suas frotas em condições técnicas aceitáveis, dada a sua reduzida capacidade financeira para aquisição de peças e equipamentos junto aos seus fornecedores de serviços. Faz-se das “tripas coração”para se manter a companhia a voar até já se considera Deus como angolano, uma vez que essas dificuldades se avolumaram de tal forma, não fosse a experiência dos escassos técnicos que a empresa possui de momento por força da purga de técnicos especializados realizada de forma inconsequente pela administração de iluminados talentosos designados para dirigir a TAAG, escrutinada por uma assembleia de accionistas sem rosto, cujo rastilho desemboca em Ricardo de Abreu.

São estes incansáveis técnicos que muitas vezes cumprindo turnos dobrados, asseguram os serviços de manutenção fazendo tudo que podem para manter a bandeira da companhia no mastro de forma visível rasgando os céus em nome de Angola.

Ainda assim, com as debilidades técnicas, o nosso ministro assumiu por si que estávamos em condições de assinar contrato com a TACV, expondo o Sr. Presidente da República ao ridículo face ao seu homólogo caboverdiano, mais uma vez a história se repete, com que intenção?

As consequências não tardaram a acontecer, a aeronave escrutinada foi enviada a Cabo Verde de forma “supersônica” sem que pelo menos fosse inspeccionada pela Autoridade da Aviação Civil angolana para avaliar requisitos e condições de aeronavegabilidade para o fim a que estava destinada, todavia a chegada em Cabo Verde, teve o primeiro “chumbo” depois de avaliada pela Autoridade da Aviação de Cabo Verde, uma bateria de inconformidades de fórum crítico inclusive, uma aeronave doentia que aspirava sérios cuidados.

Como não bastasse, a mesma rumou para Lisboa para algumas intervenções e na sua saída também teve alguns problemas, sempre devido ao seu estado de convalescença técnica.

Perante tal situação e como forma de proteger a imagem do país e do governo, a Autoridade da Aviação Civil angolana emitiu uma suspensão da operação daquela aeronave naquele território até se garantir alguma segurança, revisão de aspetos técnicos e operacionais bem como alguma documentação necessária, antes que o pior acontecesse, uma vez que não ocorreu uma tramitação deste dossiê no campo da regulamentação, prevalecendo somente o campo político e diplomático, o que no mundo das boas práticas da indústria da Aviação é um erro de palmatória, não se ignora esse quesito, certamente não cabe ao Presidente da República ter que ter essa visão mas os auxiliares estão lá para que efeito?

Outra situação preocupante está relacionada com a Gestão da Operadora TAAG- Linhas aéreas de Angola, uma companhia a caminho do Centenário, possui aos dias de hoje a mais pobre gestão na sua história, desconhecem-se os critérios de indicação das suas equipas de topo, têm demonstrando algum desalinhamento com as boas práticas da Aviação, olham muito para a árvore mas esquecem-se da floresta, enxergam curto, aparentam algo que não são, inclusive usam uma comunicação ruidosa, e pouco clara, não têm um projecto definido, pensasse que a TAAG é muita areia para os seus camiões.

Este Operador, não submeteu até aos dias que correm a documentação do seu Presidente da Comissão Executiva, Sr. Eduardo Soria para aceitação junto à Autoridade da Aviação Civil angolana, não existem informações curriculares dentro da ANAC. A estrutura orgânica da TAAG está a longa data desde a indicação do Conselho de administração agora vigente, a ser idealizado porque presumesse que o PCE tem alguma dificuldade em elabora-la, sabesse que inclusive recorreu a alguma consultoria, na qual consta uma Assessoria Alemã de fortes marcas no mercado internacional e outra Colombiana que mais fazem lembrar uma célula com ligações a um Cartel algures, desconhecida nas hostes da Aviação internacional e promotora de constrangimentos e interferência na gestão corrente de inúmeras áreas da gestão da Engenharia de Manutenção da Operadora, acedendo desautorizadamente aos acervos históricos das aeronaves em violação ao princípio da assessoria universal e em especial de confidencialidade na aeronavegabilidade, para além de demonstrarem lacunas de conhecimento básico junto à processos correntes do fórum técnico. É urgente a tomada de medidas junto à estes supostos consultores colombianos antes que o pior aconteça.Sabesse que os mesmos nem vistos de trabalho possuem, situação que reflete violação às leis de migração e fronteiras do país, ficando desde já o alerta ao SME, bem como a IGAE e PGR na tomada de medidas que se achem convenientes.

A TAAG é detentora de um Certificado de Operador Aéreo, emitido pela ANAC e é sabido que no âmbito deste certificado é auditada pela IATA numa periodicidade de 2 em 2 anos, salvo opinião em contrário será em meados de Maio 2022, a pergunta que se ocorre fazer é a seguinte:

1- se até aos dias de hoje o Gestor do topo da TAAG não consegue idealizar e implementar uma estrutura orgânica convincente junto à ANAC para aprovação e/ou aceitação, como irá responder a Auditoria IOSA/IATA?

2-Será que há alguma intenção orientada por interesses ocultos para a TAAG não passar nesta Auditoria?

3-Há alguma intenção de desacreditar os quadros da TAAG e demonstrar ao governo que há incapacidade e incompetência dos mesmos?

4- Nas auditorias anteriores a preparação para o evento “Auditoria IOSA” ocorria com 12meses de antecedência, porque se quebrou essa regra?

5-Será que o PCE e seu elenco, têm algum conhecimento neste quesito de Certificação, relativamente a transveralidade entre as várias disciplinas que este tipo de Certificação exige?

Sr. Presidente da República, sejamos, vigilantes, as coisas não estão bem dentro da TAAG, no lema, Melhor o que está bem e corrigir o que está mal, vimos alertar Sua Excia, sempre na mais alta estima.

Luanda,14 de Abril de 2022

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