O que é uma sondagem pré-eleitoral e o que ela diz sobre os resultados de uma eleição?

 

 
 

O que é uma sondagem pré-eleitoral e o que ela diz sobre os resultados de uma eleição? 
 
Por definição uma sondagem refere-se à INTENÇÃO de voto dos inqueridos de uma amostra (Entende-se por amostra uma parte da população). Por outras palavras, a Sondagem mede qual o partido/candidatos que os eleitores declaram nos quais votarão (intenção de voto). E não ao voto desses inquiridos, pois, os mesmos poderão alterar a intenção do voto. Quer dizer, a intenção de voto significa que em determinado momento o eleitor planeia votar num certo e determinado partido ou candidato. Mas, no momento em que deposita o voto pode manter ou mudar de opinião. Em vez de votar no partido ou candidato conforme antes tinha planeado, vota num partido ou candidato diferente.  
 
Por exemplo no Estudo do Afrobarometer, a “intenção de voto” é medida através da seguinte pergunta: Se as eleições gerais fossem realizadas amanhã, em qual partido do candidato à presidente você votaria? 
 
A resposta à essa pergunta não nos diz em qual partido/candidato os inquiridos de facto votarão (Só eles sabem, se é que já sabem) mas em quem voltariam se as eleições fossem naquele dia, ou seja, diz-nos apenas sobre a intenção de voto. 
 
Assim sendo, uma sondagem pré-eleitoral não deve ser vista como uma previsão dos resultados, mas apenas como uma “fotografia” das intenções de voto de certos eleitores num determinado momento. Pois, existem desafios muito complexos (ou mesmos inultrapassáveis) para que os resultados de uma sondagem seja coincidente com os resultados eleitorais. 
 
Pedro Magalhães e colegas referem que para que não hajam discrepâncias entre as sondagens e os resultados eleitorais teria de se reunir as seguintes condições (o artigo está disponível no Google com o título: As sondagens e os resultados eleitorais em Portugal):  
1. As estimativas não se baseassem em amostras da população. Ou seja, não lhes poderia estar associado erro amostral. 
2. A inexistência de erros sistemáticos de cobertura, de não-contacto ou de não-resposta na constituição da amostra. Por exemplo, em Angola as sondagens confrontam-se com um número elevado de não respostas. Cerca de 30% dos inquiridos não dizem em quem pensam votar. 
3. Inexistência de erros sistemáticos de medição. Estes erros decorrem do facto de, por exemplo, certos indivíduos tenderem a dar respostas socialmente desejáveis. Actualmente se certos eleitores considerarem ser socialmente indesejável declarar uma intenção de voto num partido X poderão dizer que “não sabem emquem votarão” ou “dizer que não votarão.” 
4. Estabilidade das intenções de voto ao longo de todo o período em que são medidas e até às eleições. Muitas coisas podem acontecer entre o dia da aplicação da sondagem e o dia das eleições. Vamos supor que nesse momento 40% dos eleitores declarem que em Agosto votarão no partido Y. Se há dois dias das eleições se descobrir um escândalo forte do candidato desse partido isso poderá afetar o voto no mesmo. Mesmo que não aconteça algo de extraordinário a dinâmica da campanha eleitoral também poderá afetar o voto dos eleitores 
5. Intenções comportamentais dos eleitores estivessem perfeitamente correlacionadas com os seus comportamentos futuro 
 
Os autores concluem que “Ao contrário do que parece ser uma expectativa arreigada na opinião pública, as condições para que as sondagens obtenham distribuições das intenções de voto iguais àqueles que vêm a ser os resultados das eleições não podem ser satisfeitas, seja por limitações inerentes ao método (uso de amostras e medição de intenções e não de comportamentos), seja por características intrínsecas do objecto de estudo (instabilidade de intenções de voto), seja ainda por limitações práticas que, podendo ser combatidas, não podem ser completamente eliminadas (erros sistemáticos de amostragem e de medição)…” 
 
Em suma, uma sondagem (se for bem feita) dá-nos alguns sinais sobre a intenção do voto dos eleitores em determinado momento (momento este este marcado por diversas circunstâncias sociais, políticas e económicas) e permitem fazer algumas coisas acadêmicas interessantes, por exemplo, traçar o perfil dos eleitores dos diversos partidos (através das varáveis socio demográficas) e medir os potencias factores explicativos do voto. A sondagem não nos diz em quem de facto os eleitores votarão, no dia em que depositam o voto na urna.

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