“HOSPITAL GERAL DE CABINDA E PORTO MARÍTIMO SÃO OBRAS DEIXADAS POR JES”

 

Em Setembro de 2009, durante uma entrevista ao Semanário A Capital, o então SG do MPLA, Julião Mateus Paulo “Dino Matross” referiu que em 30 anos, o MPLA sob a sábia liderança do Presidente José Eduardo dos Santos terá feito mais obras comparadas com as que o colono português fez em 500 anos em Angola. A semana passada por ocasião da visita de JL a Cabinda, os articulistas do DIP fizeram circular um texto assinado pelo pseudônimo “Ti Matadi” dizendo que em 5 anos o actual Presidente construiu mais hospitais do que em 38 anos do poder do Presidente Eduardo dos Santos.

Sem tirar mérito aos esforços do PR João Lourenço, há que lembrar a equipa do DIP do MPLA, que tanto o Hospital Geral de Cabinda como o Terminal Marítimo, que acabam de ser inaugurados, são obras deixadas pelo Presidente José Eduardo dos Santos. Elas não podem fazer parte da prestação de contas do que foi prometido na campanha eleitoral de 2017, porque quando ocorreram as eleições naquele ano, as duas obras já estavam em curso. Em 2020, JL aprovou algumas obras e projectos para a província de Cabinda. Mas de momento não há nenhuma obra feita em Cabinda que seja projecto do Presidente João Lourenço.

FACTOS: 

No dia 15 de Março de 2016, o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, assinou o Despacho Presidencial n.o 59/16 que aprovava o Programa de Procedimento dos Projectos de Ampliação e modernização do Aeroporto de Cabinda, Construção e Apetrechamento da Aerogare do Aeroporto do Cuito, no Bié, Construção do Terminal Marítimo e Terrestre de Cabinda, do Quebramar e Terminal Marítimo de Cabinda e Construção e Apetrechamento do Terminal

Fluvial e Terrestre do Soyo. De seguida, JES criou uma Comissão de Negociação para avaliação dos referidos Projectos, na qual faziam parte altos funcionários do aparelho de Estado (Altair Rosendo da Silva, Carla Marquez, Diogenes Silva, Natacha Barradas, Nero Maria e etc)

No dia 14 de Junho de 2017, José Eduardo dos Santos, assinou um outro Despacho Presidencial n.o 134/17 de 21 de Junho,

aprovando o projecto de empreitada para as Obras de Construção do Hospital Geral de Cabinda, bem como os contratos de empreitada de construção e apetrechamento da 1.a fase do referido Hospital, que foi celebrado com a empresa Mota- Engil Angola, no valor total correspondente a Kz: 27.408.937.626,00, equivalente a USD 165.209.625,00. JES aprovou o contrato de prestação de serviços de fiscalização da empreitada, que foi celebrado com a empresa DAR Angola Consultoria, Limitada, no valor total correspondente a Kz: 634.956.084,00, equivalente a USD 3.827.250,00.

Em Setembro de 2017, JES saiu do poder sendo rendido por João Lourenço, o então vice-presidente do MPLA. 

No dia 22 de Abril, João Lourenço foi a Cabinda inaugurar o sofisticado hospital geral de nove andares e no dia seguinte durante um comício eleitoral do MPLA manifestou orgulhou tanto pelo hospital como também pelo hospital. JL aproveitou também o momento para crucificar a governação do seu antecessor, discurso este que terá encorajado as “milícias digitais” do DIP, a difundiram nas redes sociais o “falso diagnostico” de que João Lourenço bateu recorde em

investimentos no sector da saúde” e que construiu mais hospital em 5 anos, do que em 38 do poder do Presidente Eduardo dos Santos”.

Angola terá eleições em Agosto deste ano, e para o candidato do MPLA, será momento para prestar contas aos angolanos sobre aquilo que prometeu fazer, e que constam no seu programa eleitoral de 2017, tal como as linhas do seu celebre discurso de tomada de posse. JL terá de apresentar contas sobre os resultados da prometida separação de poderes,

pluralismo de informação; abertura da sociedade; implementação efectiva de Estado de direito e democrático, politicas económicas, 500 mil postos de empregos, combate a corrupção, defesa dos menos desprotegidos e etc. O Presidente tem de apresentar contas a volta dos indicadores econômicos e sociais, e não obras de construção sejam elas deixadas por JES ou por si próprio.

Os partidos da oposição que queiram também

concorrer ao poder, devem apresentar os seus programas de governo. Terão de provar aos angolanos como farão para termos uma polícia republicana que ponha termos as execuções, como teremos um policia que não impeça as manifestações. A oposição terá também de explicar como pensa travar as taxas de desemprego que desde 2020 tem subido colocando 60% da juventude no desemprego. Em caso de poder, como a oposição pensa levar

para o parlamento a proposta para independência da CNE, de forma para que no futuro os resultados sejam publicados mesa por mesa, comuna por comuna, e não apenas anunciados como se tem feito. A oposição terá de explicar aos angolanos como pensa fazer para que o software da solução informática passe a ser propriedade do Estado angolano, para que sempre que haver duvidas os resultados das eleições anteriores possam ser consultados e não o modelo actual em que o software fica com a espanhola INDRA, privando os angolanos de terem este bem. 

José Gama

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