Angola: MPLA acusado de ″inventar″ sondagem eleitoral que lhe dá vitória em entrevista de Jose Gama a DW

 

Angola: MPLA acusado de ″inventar″ sondagem eleitoral que lhe dá vitória

A empresa de sondagens POB Brasil, citada por alguns órgãos de comunicação social angolanos estatais pela realização de uma pesquisa eleitoral que dava a vitória ao MPLA, não se encontra nos registos do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil, segundo revelam ativistas e jornalistas angolanos e internacionais. Está assim instalada mais uma polémica em torno da veracidade e legalidade de institutos de sondagens a operar em Angola.

Segundo a sondagem em questão, o MPLA venceria as eleições, agendadas para o próximo dia 24 de agosto, com 62% dos votos, à frente da UNITA, que conseguiria 33%. 

Chamado a comentar o tema, o jornalista angolano José Gama diz à DW África que foi intenção do MPLA “confundir as pessoas”.

O também editor do portal Club K afirma não ter dúvidas de que se trata de uma sondagem “inventada” pelo partido de João Lourenço, que tem como objetivo “ir preparando as pessoas” para a vitória do MPLA nas eleições que se avizinham, com, mais uma vez, “cerca 60% dos votos”.

DW África: Na sua perspetiva, o que aconteceu concretamente com essa alegada empresa brasileira de pesquisas, denominada POB?

José Gama (JG): Havia uma empresa brasileira chamada IBOPE Brasil (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), que encerrou em janeiro de 2021, e que tinha o MPLA como cliente. O que é que sucede? Como a IBOPE Brasil já não existe, o MPLA inventou uma sondagem e disse que esta pertencia à POB Brasil, para confundir as pessoas, e publicou no Jornal de Angola e na Televisão Pública de Angola esta sonsagem que decretou que o MPLA estaria com 60% das intenções de voto.

José Gama, angolanischer Journalist und Spezialist in Internationale Beziehungen

José Gama, jornalista angolano

O que nós entendemos é que o MPLA procurou criar um estado de opinião, e neste estado de opinião vai preparando as pessoas para se habituarem que o MPLA vai ter novamente 60% dos votos nos resultados eleitorais.

DW África: Essa empresa, citada pelo Jornal de Angola e pela TPA, é a POB – Pesquisas organizadas do Brasil – identificada com uma das maiores empresas de sondagens de opinião, mas no Brasil é completamente desconhecida?

JG: Quando as pessoas foram ver na internet o tal site que fez as sondagens, [viram que] era um site que foi feito no dia anterior às sondagens. As sondagens não apresentavam nenhuma ficha técnica, portanto eram estatísticas fraudulentas.

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