JORNAL FACTOS DE ANGOLA Economia FAZER PARTE E NÃO CONCORDAR

FAZER PARTE E NÃO CONCORDAR

 FAZER  PARTE  E  NÃO CONCORDAR  

                                                                          João Lourenço

O Presidente João Lourenço fica na historia pela coragem de ter lançado as bases  para o combate a corrupção no regime, apesar de algumas  limitações.  Rejeitou a proposta de  abertura  de uma CPI  para investigar    Sonangol, e ao   extintivo BESA.  Não  tocou  na GEFI, o braço empresarial do MPLA, que a quem JES transferiu patrimônio do Estado. 

Há dias um militante do regime  justificou dizendo  que João Lourenço  fazia parte do governo de JES mas não concordava com o saque  que ai  aconteceu. Esta tese é discutível. Como titular da pasta da defesa, que foi, JL participou nas reuniões de conselho de ministros onde foram aprovados  despachos de contratos que resultaram em corrupção ou favorecimento de empresas de amigos, e filhos. Contundo,  não há conhecimento ou registros  de   que tenha alguma vez levantado o braço para manifestar  contra, o que se tenha pedido demissão por não concordar com o saque.

Em Agosto de 2014, JL enquanto ministro da defesa, usou fundos do Estado para atividade  de culto de personalidade alusiva ao 72 aniversário de JES.  O aniversário  de um Presidente é um evento particular e não de Estado.  Quando foi Porta-voz do MPLA, JL participou na fundação da ORION,  empresa ligada a GEFI, citada no “Lava Jato” do Brasil.

A tese  de que  “fazia parte” e “não concordava” tem concorrência com o que aconteceu com o julgamento de Nuremberga,  em que no banco dos  réus, daquele ano de 1945,  sentaram-se oficiais nazistas   apenas por terem participado nas reuniões de Hitler,  onde se tomaram decisões de barbaridades. Foram ai chamados porque participaram no banquete e nada fizeram para impedir a fúria do “Fuher” de cometer os crimes contra humanidade. O   jornalista Hans Fritzsche foi um destes casos.  Foi colocado no banco dos réus por ter sido o braço directo do ministro da propaganda Joseph Goebbels, que se suicidara.  Como o crime não  é transmissível,  Fritzsch fez parte  dos três únicos réus nazistas absolvidos deste julgamento. Mas mesmo assim, ele  seria condenado por  um outro tribunal por crimes menores e condenado a 7 anos. 

JOSÉ GAMA

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Post