O DIA DEPOIS


O DIA DEPOIS


O DAY AFTER 

Esta frase oriundo do inglês, encontra também um acolhimento na língua portuguesa, sob várias acepções. Pode significar literalmente como o dia seguinte, como pode significar imprevisibilidade do dia seguinte.

Estamos a viver os últimos dias da campanha eleitoral em Angola, para as eleições do dia 24 de Agosto de 2022.

Pessoalmente, tive o previlégio de assistir e participar nas campanhas eleitorais Anteriores, defendendo o MPLA, e posso dizer, que a campanha destas eleições, apresentasse mais interessante e também a mais perigosa.

A campanha deste ano, compara-se a de 1992, mas com a diferença de que em 1992, o adversário do MPLA na altura era à UNITA, personificado na pessoa de Jonas Savimbi, projetada para os eleitores como o auto-comandante das FALAS, que apresentou-se no seu primeiro comício na Huila fardado, com um colder em que tinha uma pistola e que comandava um exército de mais de 40.000 homens. 

Na altura, embora já haviam criado as FAA, o clima era de uma incerteza, e pairava no ar um clima nebulosa e de conflito latente, atendendo os incidentes militares que aconteciam um pouco por toda Angola. Mas na altura pelo menos, para o pessoal do MPLA, o adversário estava identificado, e era a UNITA e o seu Líder Savimbi.

Em 2022, o MPLA está com dificuldades em identificar quem é o seu “ inimigo “, não sabe se é o povos, se é a UNITA, se é o seu líder, Adalberto Costa Júnior, se a Frente Patriótica UNIDA, se são os Marimbondos, se são os militantes descontentes do MPLA, ou se são os REVUS. Com agravante, que na campanha deste ano, o MPLA tem que lutar contra um exército invisível de soldados digitais, que a partir das varias plataformas e de toda parte do mundo onde existe comunidade Angolana fazem ataques cerrados e impiedosos contra o MPLA.

Sendo eu do MPLA com a militância congelada, nunca senti tão visível, o poder a nos sair do pé. Noto este ano, que houve um amadurecimento da consciência de cidadania por parte das pessoas, sobretudo dos jovens, que estão mais exigentes e sabem o que querem e almejam. O descontentamento por parte da juventude, é visível nos pronunciamentos tanto em conversas, como nos debates que seguimos nas redes sócias, aliás dos maiores veículos que os jovens utilizam para interagirem, naquilo que se chama agora de imprensa alternativa, que infelizmente muitos teimosos e cabeças duras, não levam muito a sério este veículo. So para fazer lembrar a estes teimosos, que Bolsonaro e Trump, foram eleitos por força destas ferramentas.

Por isso, este descontentamento e frustração dos jovens, deve significar uma mensagem muito forte para qualquer dos partidos que venha vencer as eleições de 2024. As políticas públicas do próximo governo, tem que ser virada principalmente para esta franja da população, se atendermos o facto que eles são a maioria no nosso país e que são os sonhadores e os protagonistas da mudança e desenvolvimento do país no futuro.

Por isso, o MPLA, que em 1992, tinha o adversário bem identificado, nas eleições deste ano, tem muitos adversário com quem lidar. 

É exatamente ali, que digo que as eleições deste ano, estão mais interessantes e mais perigosa. De um lado temos a fé e o desejo da manutenção do poder e de outro temos o desejo e a ânsia do alcance do poder. E nesta luta do desespero pela manutenção do poder e da ânsia para o alcance do poder, temos verificado uma intolerância, arrogância, despotismo absurdo e preocupante. 

De um lado, temos alguém aflita, agoniada a ver o poder a lhe fugir dos pés, e para manter este status quo, e está a fazer de tudo, usando todos métodos possíveis e imaginários para a manutenção, com a desvantagem de hoje não saber exatamente quem é o seu inimigo, e quando é assim, tu disparas para todos os sítios e vês todo mundo como ameaça e do outro lado, temos uns que na ânsia de chegar o poder, usam também todas artimanhas e técnicas, inclusive com encomendas de faixa de campeão.

Logo estamos a viver um momento político, em que um não está preparado, nem interessado a abandonar o poder e do outro lado temos, um que não está preparado para continuar a ser oposição e que vai querer fazer tudo, para, como diz o seu Slogan “ A HORA É AGORA “, conquistar o poder. E os sinais já estão visíveis, nem em 1992, ouve uma Mobilização da polícia e o exército para cuidar de uma eleição.

A nossa história, identifica-nos como sendo um povo que sabe viver mal com diferenças, sabemos resolver as nossas diferenças na ponta do fusível, 1975, 1977, 1992. E é nesta altura em que aparecem os grandes manipuladores das mentes, uns para manter o seu Status Quo, para usufruírem das mordomias, ao acesso fácil ao pote do mel, e com isso, vendem um sonho aos uns tantos, para que estes sirvam como seu escudo nesta disputa e outros, se aproveitando da frustração e desespero de uns tantos, vendem o sonho, da chegada do Messias, para lhes salvar a vida. Estes sonhos diferentes, quando dormido até longas horas, quando se acorda, normalmente já é sobre manto de sangue e luto.

No Day After, uns vão manter o seu Status ou então serão obrigado a estender o tapete vermelho para outros desfilarem.

Por isso não devíamos ter medo do Day After, porque só tem medo do futuro, quem não soube construir as bases sólidas no presente.

O Day After pode ser maravilhoso, se cada um de nós, se identificar com o sorriso do outro e se resignar com o choro, sofrimento ou fome do outro.

By: Nefeca

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