Chefe do executivo João Lourenço indica caminhos para melhorar governação de 17 províncias

João Lourenço indica caminhos para melhorar governação de 17 províncias

Dirigindo-se aos participantes da sessão especial que deu início hoje ao processo de elaboração dos Planos Integrados de Intervenção para cada uma das províncias do país, o Titular do Poder Executivo falou com precisão e detalhe sobre o trabalho que aguarda pela governação no presente mandato, onde sobressai a edificação de infra-estruturas de todo o tipo.

No campo da Saúde, o Presidente defendeu como grande prioridade as pequenas unidades que atendem em primeira linha os cidadãos, referindo que os grandes hospitais já estão definidos, construídos ou vão surgir, muitos destes últimos até com fontes de financiamento já identificadas.

Outra acção fundamental do período será a construção de estradas, arruamentos no interior das cidades e estradas circulares, estas últimas para permitir que quem esteja a efectuar uma viagem interprovincial não tenha necessariamente que passar pelo interior de uma urbe.

As estradas que ligam Angola aos países limítrofes (Congos, Zâmbia e Namíbia) são igualmente outra prioridade do mandato, sem deixar de lado o desenvolvimento do transporte ferroviário na perspectiva da sua projecção internacional, como acaba de ser sinalizado já com a entrada em cena de um consórcio para gerir o Corredor do Lobito.

Mais ensino superior público
À semelhança do que aconteceu no mandato anterior em que no domínio da Saúde houve a construção de uma vasta rede de infra-estruturas, o período 2022-2027 ficará marcado também como o mandato do Ensino Superior no que toca a uma maior oferta de instalações para o sub-sector.

O Presidente defende que é preciso inverter o actual quadro, em que maioritariamente os estudantes do Ensino Superior fazem-no em universidades privadas. O rácio hoje é, com efeito, 60% de estudantes universitários no ensino privado e 40% de estudantes universitários no ensino público.

Água e luz
De prioridade em prioridade, o Presidente João Lourenço apontou a necessidade de se avançar com o processo de se interligar as regiões Sul e Leste de Angola à rede nacional de electricidade.

Chamou a atenção para o grande empenho que vai ter de existir para que mais água chegue às populações, a toda a dimensão do país, mencionando alguns casos críticos como Ndalatando, Lubango e Dondo, “sem água mesmo com o rio a passar por ali”.

Nas reflexões que fez na reunião desta manhã no Palácio Presidencial, o Chefe de Estado observou que o país está melhor em termos de fornecimento de energia eléctrica à população do que em matéria de disponibilização de água. “Alguma coisa não está bem até porque os investimentos em energia são mais caros do que os investimentos para o fornecimento de água. Temos de pensar seriamente nisto!”, disse.

Habitação
Para o mandato 2022-2027, é pensamento do Presidente que a governação deverá priorizar a infra-estruturação de terrenos para a auto-construção dirigida. “Esta é a solução, muito mais do que a aposta na construção de centralidades”, considerou.

João Lourenço entende que ao Estado deve competir a infra-estruturação de terrenos, levar a água e a electricidade a esses pólos, fazer arruamentos e depois as pessoas que construam!

Economia/diversificação
No conjunto de reflexões soltas que o Chefe de Estado fez ao longo da reunião para preparação dos programas de actuação dos governos provinciais, o tema “diversificação económica” esteve também na ordem do dia.

O Presidente começou por exteriorizar a sua visão de que o futuro do petróleo está seriamente ameaçado porque os países industrializados, os grandes consumidores, estão a encontrar alternativas à energial fóssil, seja por razões ambientais, seja porque não pretendem continuar a manter a forte dependência energética de um dos maiores produtores de crude, a Rússia.

Esta realidade -assinalou João Lourenço – coloca-nos o desafio de “termos de pensar em produtos que nos dão divisas fora do petróleo”.
“Vamos eleger um, dois, três produtos e investir seriamente neles, porque está claro que não vamos poder fazer com todos ao mesmo tempo”, afirmou.

“Li algures que a Etiópia ganha biliões a exportar café. Nós até já fomos grandes produtores e exportadores de café. Porquê não retomamos esta produção?”, interrogou-se João Lourenço. “Os produtos do nosso rico mar…a Namíbia é um bom exemplo, faz fortuna a exportar peixe, marisco…”, rematou.
“Há que pensar nisso, ter a audácia de apostar em produtos que nos garantem divisas, que nos permitem arrecadar recursos financeiros fora do petróleo.

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