A data em questão remonta os finais do séc. XIX, nos Estados Unidos da América. Ela é comemorada como feriado em mais de 80 países do mundo e reflecte os acontecimentos do dia 1 de Maio de 1886, ocorridos naquele país, onde cerca de 350 mil trabalhadores realizaram uma greve geral, reivindicando o direito a 8 horas de jornada laboral diária, visto que naquele período, em particular nos Estados Unidos da América, os funcionários trabalhavam mais de 8 horas ao dia e, em alguns casos, antigiam 12 horas, o que correspondia à metade do dia.
De acordo com fontes, os trabalhadores, durante a greve, usavam o slogan: 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer. Nesse mesmo ano, 1886, na cidade de Chicago, no dia 4 de Maio, a polícia lançou bomba a um grupo de manifestantes, tendo causada a morte de 7 polícias e uns tantos manifestantes. Conta-se, igualmente, que nesta acção policial, 8 líderes operários foram presos e 4 foram enforcados.
A data tornou-se viral como Dia Internacional do Trabalhador em 1889, a quando da realização do II Congresso Internacional Socialista em Paris, onde foi decidido que o dia 1 de Maio seria o dia de luta mundial dos trabalhadores, em homenagem aos “Mártires de Chicago”. Após este Congresso, em 1890, foi realizada a primeira Celebração Internacional do Trabalhador, incluindo Portugal, que no ano seguinte, 1891, realizou a sua primeira comemoração na cidade do Porto.
O 1 de Maio em Angola
Em Angola, o 1 de Maio é celebrado como Dia Internacional do Trabalhador e feriado a partir de 1975, após o alcance da Independência e a constituição da Primeira República (1975-1992). Conta-se que antes deste período, sobretudo entre 1961-1974, o regime colonial, vigente na Segunda República Portuguesa, não concedia qualquer direito laboral aos indígenas, e era duramente reprimida qualquer tentativa de greve, uma vez que, em Angola, ainda se fazia sentir a existência do Trabalho Forçado e o contratado no campo laboral.
Com o alcance da independência, o novo governo de Angola, adoptou o dia 1 de Maio como o Dia do Trabalhador e o mesmo passou a ser visto como um dia de festa, mas também de lutas sindicais, protagonizadas pela UNTA-CS (União Nacional dos Trabalhadores Angolanos-Confederação Sindical), que era a central oficial. Conta-se tamém que, durante a Primeira República (1975-1992), a UNTA-CS era a única organização laboral legal.
Associado ao contexto, é importante lembrar que, no início, o tema de abordagem central em Angola era sobre a “emancipação do trabalhador e o fim do trabalho forçado colonial”. Entretanto, nos dias de hoje, o dia 1 de Maio em Angola é celebrado entre festas e reivindicações.
São realizados desfiles conjuntos entre a UNTA-CS e o governo, marchas em lugares chaves da cidade de Luanda, e noutras cidades e municípios de Angola, já com um maior número de organizações sindicais, cujas celebrações vão para além das expectativas do trabalhador, exigindo revisão salarial, o reajuste do salário mínimo e também no vigente, tanto na função pública como no privado. São exigidos igualmente mais oportunidades de emprego aos jovens e melhorias das condições laborais e humanas, o reconhecimento e a valorização profissional.
Em jeito de conclusão, juntando a componente histórica ao contexto real e actual dos trabalhadores, apelamos às entidades empregadoras e patronais que haja mais respeito e dignidade aos trabalhadores; que os Martires de Chicago de 1886 sejam lembrados como verdadeiros heróis, que lutaram a favor das 8 horas de jornada laboral, colocando um ponto final à exploração dos trabalhadores em todo o mundo; que as lutas de hoje possam servir como reforço e fonte de inspiração dos trabalhadores na conquista pelas melhores condições laborais em toda a dimensão do campo laboral e profissional.
Por: João Reis António