Opinião

Ministério das financas impoe travao e expoe falta de sensibilidade dos Deputados

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A recente decisão do Ministério das Finanças de impor restrições às despesas com novas viaturas e viagens parlamentares não apenas representa um acto de responsabilidade ela também expõe uma realidade preocupante: se houvesse verdadeira consciência de serviço público, talvez essa intervenção nem fosse necessária.

Num país onde milhares de famílias vivem com enormes dificuldades, onde o desemprego, a precariedade e a falta de condições básicas continuam a marcar o dia-a-dia do cidadão comum, é moralmente desconfortável assistir à normalização de privilégios no topo da hierarquia política.
O povo faz sacrifícios todos os dias. O povo abdica. O povo adapta-se. Mas alguns deputados parecem não sentir o mesmo dever.

Se estivessem realmente ao serviço do povo, os próprios deputados poderiam ter recusado novas viaturas e limitado as suas deslocações. Poderiam ter dado o exemplo. Poderiam ter mostrado sensibilidade social sem necessidade de qualquer imposição externa. Mas isso não aconteceu. E quando a autorregulação falha, alguém tem de agir.

O ministério das Finanças demonstrou firmeza ao colocar limites onde deveria já existir consciência. A medida é justa, necessária e, acima de tudo, pedagógica. Mostra que o erário público não é uma extensão de conforto institucional, mas sim um recurso que pertence a todos os angolanos.

A própria Assembleia Nacional deve reflectir sobre a imagem que transmite à sociedade. Representar o povo implica partilhar das suas preocupações, compreender as suas dores e ajustar comportamentos à realidade nacional. Infelizmente, como o povo nem sempre é ouvido nem considerado prioridade absoluta, coube o ministério intervir. Não por capricho, mas por responsabilidade.

Num país onde muitos ainda lutam para sobreviver com dignidade, cada gesto de contenção no topo é um passo em direcção à justiça social. E que esta decisão sirva de lembrete: cargos públicos não são privilégios são missões.

Por: Daniel Sousa, O Patriota Liberal

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