Contexto histórico
Tal como se costuma dizer que a paz é “o bem mais precioso de um povo”, o mesmo se pode afirmar da juventude, que é “a força motriz de qualquer nação do mundo”. Na juventude, reside a esperança e a formação de uma sociedade melhor no futuro em todas as suas dimensões: política, social, económica, cultural e humana.
No contexto mundial, o Dia da juventude é celebrado a 12 de Agosto, desde 1999, período em que a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a data com o propósito de focar as suas atenções na educação e na consciencialização dos jovens sobre as suas responsabilidades, enquanto representantes do futuro do planeta.
Diante deste propósito, as Nações Unidas, como entidade com grande responsabilidade no mundo, rapidamente percebeu que era preciso entender os problemas da juventude e promover políticas que pudessem ajudar na resolução destes problemas em todo o mundo.
Em Angola, o dia da juventude é celebrado a 14 de Abril desde 2010, quando a Assembleia Nacional instituiu de forma oficial a data como o “Dia da Juventude Angolana”, como forma de promover a consciencialização dos jovens sobre os desafios e os problemas que a juventude enfrenta no seu dia-dia, fortalecendo a participação e a contribuição dos jovens na sociedade e o seu papel no desenvolvimento de Angola.
Importa ainda destacar que o “14 de Abril” é reconhecido como o “Dia da Juventude Angolana”, em homenagem ao herói nacional Hoji –Ya – Henda, um jovem combatente angolano, que tinha sido morto neste data, pelas forças coloniais em 1968. Por sua vez, o Conselho Nacional da Juventude (CNJ), já em 2005, havia aprovado a data como forma de enaltecer o papel da juventude na sociedade. É sabido que esta data carrega, um certo pendor político, razão pela qual não reúne consenso no seio da juventude.
Contudo, é importante realçar que o “14 de Abril” foi instituído pela Assembleia Nacional em 2010 a meio de um contexto de Paz, Unidade e Reconciliação Nacional, onde cada jovem pudesse rever-se e encontrar nesta data o caminho da união e o espírito patriótico, sem olhar para as diferenças política, religiosa, étnica, racial e de cor.
Daí a necessidade de se preservar e valorizar o 14 de Abril como um símbolo de reconhecimento da juventude angolana.
Desafios
Passados 16 anos desde a sua institucionalização, nos dias de hoje, são muitos os desafios que a juventude angolana enfrenta, sobretudo no que diz respeito à realização e concretização dos seus sonhos, os quais estão inteiramente ligados ao desenvolvimento económico e social de Angola. Outros desafios, não menos importantes, prendem-se com o conhecimento e o reconhecimento da história de Angola.
Alguns especialistas no campo das Ciências Sociais, entre os quais historiadores, sociólogos, antropólogos e investigadores culturais, apontam que a falta do conhecimento e do reconhecimento da história de Angola constitui uma das maiores preocupações e desafios da juventude angolana na actualidade.
Estudos efectuados em meios sociais revelam que grande parte da nossa juventude não conhece a história de Angola ou, pelo menos, não mostra interesse pelo seu estudo, nomeadamente no que se refere aos três grandes períodos: o Pré-colonial, o Colonial e o Pós-colonial, bem como às nossas origens, hábitos e costumes, as lutas do povo angolano no alcance da independência contra o domínio colonial português, o contexto da Guerra Civil até à conquista da paz efectiva, em 2002.
Por este motivo, sugerimos a introdução do ensino da História de Angola nas diferentes áreas de formação, nomeadamente nas Ciências Económicas e Jurídicas, Ciências Humanas, Físicas e Biológicas, Engenharias e outras.
Na perspectiva dos especialistas, a falta de conhecimento da História de Angola por parte dos jovens, futuramente, coloca em risco a nossa própria identidade cultural, sociológica e antropológica, diante de um mundo globalizado, dominado pelas novas tecnologias de informação e pelos meios de difusão massiva, bem como pela constante influência cultural externa que o país sofre todos os dias.
Dificuldades
São enormes as dificuldades que a juventude angolana enfrenta nos dias de hoje, desde o acesso à escola, em busca de uma formação integral capaz de enfrentar os desafios sociais num mundo moderno, o acesso ao emprego e outras oportunidades sociais que possam garantir estabilidade emocional e esperança de um futuro melhor para os jovens e para o próprio país.
Com base nestas dificuldades, apela-se às entidades de direito e às organizações juvenis a velarem pelos direitos dos jovens em Angola e o seu devido enquadramento no processo produtivo, aproveitando a vasta força e capacidade de trabalho dos jovens, que ao nosso entender, têm sido subaproveitados.
Por outro lado, apela-se igualmente à necessidade de se criarem políticas concretas direccionadas aos jovens para o seu melhor aproveitamento, de modo que cada um possa sentir-se enquadrado e parte desta imensa e amada pátria, que se chama Angola.
Com tudo quanto foi exposto ao longo deste texto, podemos concluir, afirmando que a juventude é a força e a esperança do amanhã e de uma Angola melhor. Valorizar o “14 de Abril” é divulgar o poder e a força da juventude angolana. Que haja mais liberdade, democracia e trabalho para o bem de Angola.
Por: João Reis António