O activismo político é, em qualquer democracia, incluindo Angola um mecanismo legítimo de participação da sociedade nas questões políticas.
O advento da proliferação das tecnologias de comunicação e o fácil acesso as redes sociais permitiu maior rapidez na comunicação, introduziu uma nova dinâmica no cenário do activismo angolano, e alguns servem-se deste exercício para fins pessoais e inconfessos.
Essa visão é igualmente partilhada pela Deutsche Welle News (DW) que em Julho/2026, publicou uma reportagem sobre denúncias de activistas que procurariam obter benefícios junto do Governo, partidos políticos e outras instituições, observando ainda que analistas apontam para o aumento deste fenómeno em véspera de períodos eleitorais. A mesma reportagem registou a acusação de que partidos da oposição também podem utilizar determinados activistas para procurar ampliar o seu poder de influência social através das melícias digitais que proliferam Fakenews, visando desacreditar as instituições públicas.
Muito destes activistas ganham notoriedade através das redes sociais, manifestações, debates televisivos, entrevistas e denúncias públicas (não sustentadas com matéria de prova), acumulando aquilo que podemos chamar de capital político informal, que tem servido de base para a construção de carreira política, benefícios materiais e representação institucional no Parlamento, ou seja, o activismo político passou a ser utilizado predominantemente como mecanismo de autopromoção, obtenção de vantagens materiais ou negociação de uma futura posição política.
Neste quesito, podemos identificar alguns activistas que usam destas vestes para a obtenção de vantagens materiais ou negociação de uma futura posição política, e o histórico regista que alguns fizeram parte das listas de candidatos a deputados nas eleições de 2022.
➢ Hitler Samussuku, conhecido como activista associado ao processo 15+2 e aos protestos de ruas em Luanda. Encontra-se actualmente no Brasil a concluir a sua formação com uma bolsa de estudo financiada pela UNITA. Esteve na posição 83ª na lista nacional a candidato a deputados da UNITA nas eleições de 2022, mas não foi eleito;
➢ Benedito Jeremias Dali (Dito Dali) conhecido como activistas associado igualmente ao processo 15+2. Encontra-se actualmente no Brasil a concluir a sua formação com uma bolsa de estudo financiada pela UNITA esteve na posição 95ª na lista nacional de candidatos a deputado da UNITA nas eleições de 2022, mas não foi eleito;
➢ Pedrowski Teca, activista e dirigente do Movimento Cívico União dos Povos de Angola, esteve na posição 84ª na lista de candidatos a deputados da UNITA nas eleições de 2022, mas não foi eleito;
➢ Nuno Álvaro Dala, activista e professor de careira, esteve na posição 50ª na lista nacional de candidatos a deputados da UNITA nas eleições de 2022 e foi eleito deputado a Assembleia Nacional;
➢ Olívio Fortunato E. Quilumbo, professor de careira, activista e comentarista. Esteve na posição 35ª na lista de candidatos a deputados da UNITA nas eleições de 2022, foi eleito à Assembleia Nacional;
A ascensão de activistas ao Parlamento angolano tem sido uma realidade porque estes têm por objectivo alcançar notoriedade pública; capacidade de comunicação; presença nas redes sociais; capacidade de mobilização; credibilidade junto de determinados segmentos da juventude; capacidade de atacar politicamente adversários, perspectivando a obtenção de vantagens pessoais.