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4 de Abril em Angola: Impacto e Perspectivas na História Contemporânea de Angola

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Antecedentes históricos.

A história contemporânea de Angola é revestida de vários acontecimentos políticos, económicos, sociais e culturais. Um percurso que historicamente se pode considerar como tendo o seu ponto de partida o ano de 1975 e a ruptura da Administração colonial portuguesa, marcada pelo advento da Proclamação da Independência Nacional e a implantação da Primeira República, denominada “República Popular de Angola”.

Esta etapa da história contemporânea de Angola teve a duração de 15 anos, dominada por um sistema de governo monopartidarista, baseado num tipo de governo de partido único sob a lideração do MPLA, que se apresentava como o único representante legítimo do povo angolano interna e externamente.

Com a assinatura dos Acordos de Bicesse, Maio de 1991, e as transformações políticas e sociais que ocorreram em Angola, o país conheceu um novo sistema de governo, baseado no multipartidarismo, tendo adoptado o modo de produção económico e um estilo liberalista. Em 1992, ocorreram em Angola as primeiras eleições gerais e multipartidárias que contaram com a participação activa da população.

Após a publicação dos resultados das eleições, sob observação directa da Organização das Nações Unidas, representada pela Secretária Geral, Margaret Anstee, de nacionalidade britânica, o MPLA e o seu candidato José Eduardo dos Santos foram os grandes vencedores. Por insatisfação dos resultados, a UNITA e o seu líder, Jonas Savimbi, contestaram os resultados oficialmente divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral.

Entretanto, o país seguiu rumo ao futuro, a meio de uma guerra civil entre a UNITA e o MPLA, resultante das divergências políticas e as profundas influências externas que qualquer um dos dois grupos políticos sofria dos seus aliados.

Diante destes acontecimentos, é importante realçar que a guerra civil em Angola encontrou o seu fim em 2002, após a morte em combate de Jonas Savimbi, o então presidente da UNITA e a posterior assinatura dos acordos de paz efectiva para Angola, celebrados a 4 de Abril de 2002. É sobre o 4 de Abril em Angola que pretendemos abordar neste texto.

O 4 de Abril enquadra-se no campo da história política e militar angolana. A data resulta de uma acção político-militar que ocorreu no ano de 2002, marcando o fim de um longo período de guerra com a duração aproximada de cerca de 27 anos. As divergências políticas, bem como o desejo de alcançar o poder em Angola pelo MPLA e pela UNITA são historicamente apontadas como a base deste conflito.

Entretanto, em 2002, morre em combate, Jonas Savimbi, o líder histórico e fundador da UNITA, na região de Lucusse, a cerca de 138 km da cidade do Luena, na província do Moxico. Após os acontecimentos de 22 de Fevereiro, observou-se a 31 de Março do mesmo ano, na cidade do Luena, um encontro entre as chefias militares do Governo Angolano (FAA) e as chefias militares do braço armado da UNITA (FALA).

Deste encontro, produziram-se deliberações que viriam a determinar o futuro político e militar de Angola, que passava sobretudo pela criação de um Exército único para Angola, a desmobilização em massa e a desmilitarização da UNITA e a consequente integração dos antigos militares das FALA no exército nacional. O encontro do Luena ficou conhecido como “ Memorando de Entedimento”, que na prática era a continuidade dos anteriores acordos assinados entre o Governo e a UNITA, entre os quais, os acordos de Lusaka-Zâmbia, em Novembro de 1994.

A assinatura do Memorando de Entedimento do Luena foi um passo importante na concretização dos acordos de paz efectiva para Angola, que viria a acontecer no dia 4 de Abril de 2002, no antigo edíficio da Assembleia Nacional, em Luanda, nas imediações da Mutamba, rua do 1º Congresso do MPLA, sob o olhar atento do então Presidente da República de Angola, Eng. José Eduardo dos Santos. Seus assinantes foram os generais Abreu Munhengo Ucuatchitembo (Camorteiro) em representação das FALA e Armando da Cruz Neto, antigo chefe do Estado Maior General das FAA.

Este acto ocorreu na presença de vários observadores nacionais e internacionais, membros do Governo de Angola e outras entidades políticas Angolanas. Após a troca das pastas entre as partes, estava concretizado o compromisso com os acordos de paz efectiva para Angola, entre a UNITA e o Governo Angolano.

Impacto

O impacto do 4 de Abril em Angola é, até aos dias de hoje, bem visível, na medida em que seus resultados permitiram que em Angola fosse possível a criação de um governo único em tempo de paz, um Governo de Reconciliação e Unidade Nacional em toda a extensão do território nacional, nos diferentes domínios: político, económico, sociai e cultural. Permitiu, igualmente, a criação de um forte Estado de Direito e com o verdadeiro sentido de nação e patriotismo.

Permitiu a reabilitação de estradas e a circulação de pessoas, bens e serviços destinados à satisfação das necessidades de toda a população; reabilitação de infra-estruturas sociais (públicas e privadas), sobretudo escolas e hospitais; a construção de novos centros urbanos em quase todo o país; criação de novas indústrias e a promoção dos trabalhos em zonas rurais, para incentivar a prática da agricultura de pequeno e médio porte, destinada à produção e distribuição de produtos para o mercado interno e externo e outras actividades rurais.

Perspectivas

Passados 24 anos da assinatura dos acordos de paz efectiva para Angola, em Abril de 2002, da parte dos angolanos, a expectativa é tão grande. Pensa-se que tudo que já foi feito pelo governo ainda não é satisfatório para o bem-estar da população, que esperava ver os seus problemas de base ou pelo menos, parte dos seus problemas resolvidos, fosse no campo político, económico ou social.

Acima de tudo, o país precisa implementar políticas públicas que possam contribuir para o rápido crescimento social e o desenvolvimento económico, eliminando qualquer tipo de barreira que possa impedir o avanço económico do país a curto e médio prazo. Criar mais indústrias, mais empregos para a população jovem e reduzir a pobreza, melhorando os serviços básicos para promover qualidade de vida, aumento salarial e proporcionar maior dignidade socio-económica da população em todo o território nacional. Tem de haver maior aposta na formação do homem para garantir a continuidade e o melhoramento dos projectos futuros: escolas e hospitais de qualidade para todos, bem como garatir que nestes locais possam existir quadros capazes de dar respostas aos desafios do país, perante o mundo exterior.     

Conclusão

Tendo em conta os assuntos abordados ao longo deste texto, podemos concluir a nossa abordagem destacando o seguinte: a paz é o bem mais precioso que um povo merece. Com a paz, uma sociedade pode encontrar caminhos para o seu desenvolvimento.

Apesar dos avanços registados, há a necessidade de se criar planos e projectos que promovem o crescimento e o desenvolvimto a curto e médio prazo. Em Angola, o 4 de Abril é visto como um dos momentos mais brilhantes da sua história contemporânea em todos os domínios. Por esta razão, o seu impaco, alinhado às suas perspectivas, são até hoje bem visíveis.

É importante salientar que a paz que se vive hoje em Angola, permitiu aos angolanos construir uma consciência política e social colectiva capaz de manter o povo angolano unido e sem qualquer distinção de raça, cor, religião, etnia e grupo político.

Por: João Reis António, Mestre em Ciências da Educação, ISCED-Luanda.

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ACTIVISTAS POLÍTICOS EM BUSCA DE BENEFÍCIOS MATERIAIS JUNTO DA OPOSIÇÃO

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O activismo político é, em qualquer democracia, incluindo Angola um mecanismo legítimo de participação da sociedade nas questões políticas.
O advento da proliferação das tecnologias de comunicação e o fácil acesso as redes sociais permitiu maior rapidez na comunicação, introduziu uma nova dinâmica no cenário do activismo angolano, e alguns servem-se deste exercício para fins pessoais e inconfessos.

Essa visão é igualmente partilhada pela Deutsche Welle News (DW) que em Julho/2026, publicou uma reportagem sobre denúncias de activistas que procurariam obter benefícios junto do Governo, partidos políticos e outras instituições, observando ainda que analistas apontam para o aumento deste fenómeno em véspera de períodos eleitorais. A mesma reportagem registou a acusação de que partidos da oposição também podem utilizar determinados activistas para procurar ampliar o seu poder de influência social através das melícias digitais que proliferam Fakenews, visando desacreditar as instituições públicas.

Muito destes activistas ganham notoriedade através das redes sociais, manifestações, debates televisivos, entrevistas e denúncias públicas (não sustentadas com matéria de prova), acumulando aquilo que podemos chamar de capital político informal, que tem servido de base para a construção de carreira política, benefícios materiais e representação institucional no Parlamento, ou seja, o activismo político passou a ser utilizado predominantemente como mecanismo de autopromoção, obtenção de vantagens materiais ou negociação de uma futura posição política.

Neste quesito, podemos identificar alguns activistas que usam destas vestes para a obtenção de vantagens materiais ou negociação de uma futura posição política, e o histórico regista que alguns fizeram parte das listas de candidatos a deputados nas eleições de 2022.

➢ Hitler Samussuku, conhecido como activista associado ao processo 15+2 e aos protestos de ruas em Luanda. Encontra-se actualmente no Brasil a concluir a sua formação com uma bolsa de estudo financiada pela UNITA. Esteve na posição 83ª na lista nacional a candidato a deputados da UNITA nas eleições de 2022, mas não foi eleito;

➢ Benedito Jeremias Dali (Dito Dali) conhecido como activistas associado igualmente ao processo 15+2. Encontra-se actualmente no Brasil a concluir a sua formação com uma bolsa de estudo financiada pela UNITA esteve na posição 95ª na lista nacional de candidatos a deputado da UNITA nas eleições de 2022, mas não foi eleito;

➢ Pedrowski Teca, activista e dirigente do Movimento Cívico União dos Povos de Angola, esteve na posição 84ª na lista de candidatos a deputados da UNITA nas eleições de 2022, mas não foi eleito;

➢ Nuno Álvaro Dala, activista e professor de careira, esteve na posição 50ª na lista nacional de candidatos a deputados da UNITA nas eleições de 2022 e foi eleito deputado a Assembleia Nacional;

➢ Olívio Fortunato E. Quilumbo, professor de careira, activista e comentarista. Esteve na posição 35ª na lista de candidatos a deputados da UNITA nas eleições de 2022, foi eleito à Assembleia Nacional;

A ascensão de activistas ao Parlamento angolano tem sido uma realidade porque estes têm por objectivo alcançar notoriedade pública; capacidade de comunicação; presença nas redes sociais; capacidade de mobilização; credibilidade junto de determinados segmentos da juventude; capacidade de atacar politicamente adversários, perspectivando a obtenção de vantagens pessoais.

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A ACTIVIDADE POLÍTICA DA UNITA: ANÁLISE E PERSPECTIVAS

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Aproximando-se o ano da realização das eleições gerais em Angola, vão se registando alguns actos de mobilização de massa junto das comunidades. Estes actos realizados na sua maioria protagonizados pelos principais partidos políticos, nomeadamente o MPLA, a UNITA e o PRA JÁ SERVIR ANGOLA, interessados em despertar às populações sobre a importância das eleições e do voto como acto de cidadania.


As mensagens veiculadas pelos partidos da oposição, colocando a UNITA na primeira posição, estão alinhadas negativamente para estímulo de um cenário de intolerância, registando-se actos de desobediência às regras de convivência democrática. As acções do Galo Negro, instrumentalizadas por Adalberto da Costa Júnior, por um lado, mostram de facto o seu interesse para a diabolizar o partido dos camaradas, promovendo insultos directos verbais e cenas de pugilato e por outro, em ensaios voltados a criar um movimento de fragmentação no partido de Abel Chivukuvuku.


Vozes discordantes no seio da UNITA, consideram a estratégia de Adalberto da Costa Júnior desajustada e que de certa maneira, resgata o rótulo belicista e intransigente do passado. As discussões para a definição da estratégia de mobilização de militantes e simpatizantes da UNITA não têm sido consensuais, pois regista-se sempre alguma resistência de ACJ em disponibilizar as verbas. Por essa razão, ACJ tem sido frequentemente acusado de desviar os fundos colocados a sua disposição por um grupo de empresários sul-africanos que apostam nele como alternativa de governação em Angola com as eleições de 2026.


Por outro lado, em reuniões mais restritas, nas quais apenas participam aqueles comprometidos com a radicalização de posições, as orientações da liderança da UNITA interessadas em provocar arruaças são precisas, provocar as forças da ordem com mensagens insultuosas para que estas enveredem para o uso desproporcional da força contra os militantes da UNITA e se porventura, não for possível, partam por acto de vandalismo contra instituições público-privadas e símbolos dos partidos adversários, para forçar a confrontação, sem a sensibilidade de medir a gravidade das consequências desta opção, mostrando-se mais interessado no impacto da mediatização dos seus efeitos.


A sua avidez pelo poder em Angola, levou-lhe a prometer aos empresários sul-africanos, sonhos que colocam o país numa miragem política e compromete o sector económico na pretensão de oferecer a estes empresários, caso seja eleito, a gestão da produção petrolífera dos principais campos de exploração.


Se em 2022, ACJ foi capaz de prometer oferecer Angola a troco de financiamento estrangeiro para suportar a campanha eleitoral da UNITA, o que é proibido à luz da legislação, hoje, com os mesmos propósitos tenciona com o apoio de alguns detractores, inspirados no cenários registados recentemente em Moçambique, criar alianças políticas tóxicas para antecipadamente descredibilizar o processo, com a materialização de um plano de comunicação com espaço de antena comprados nas principais cadeias televisivas em Portugal, com o apoio dos seus amigos políticos que sempre almejaram em atrasar o progresso e subalternizar Angola para servir de reserva de sustentabilidade económica de Portugal.

 

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17 DE SETEMBRO, DIA DO HEROI NACIONAL

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O dia 17 de Setembro é uma data histórica em Angola. A data está associada ao nascimento de António Agostinho Neto, o primeiro presidente de Angola. Por esta razão, é considerado Feriado Nacional.

António Agostinho Neto nasceu a 17 de Setembro de 1922, na região de Kaxicane, antigo Concelho de Icolo e Bengo nas margens do rio Kwanza. Agostinho Neto, como era conhecido, foi o primeiro Presidente da República de Angola, após o fim do domínio colonial português, que se manteve em Angola por quase 500 anos.

Agostinho Neto liderou a luta pela Independência de Angola contra Portugal e governou o país entre 1975 e 1979 aquando da sua morte prematura em Moscovo, Capital da Antiga União Soviética.

Nascido no seio de uma família humilde, Agostinho Neto era filho de um pastor metodista, Agostinho Pedro Neto, que trabalhou durante muito tempo na missão metodista de Kaxicane no período colonial, sendo uma figura muito respeitada naquela comunidade. A sua mãe, Maria da Silva Neto, era parteira e professora de profissão, igualmente ligada à missão metodista.

Visto que os seus pais eram professores ligados à igreja, Agostinho Neto teve acesso à escola desde muito cedo, e depois foi estudar medicina em Portugal, onde teve contacto com vários estudantes das antigas colónias portuguesas de África. Com eles, Neto sentiu-se motivado a participar em acções revolucionárias anti-coloniais.

Agostinho Neto foi um poeta renomado que, ao lado de outros escritores angolanos e africanos da sua época, escreveu textos importantes que contribuíram para a mudança da consciência do Homem Africano. Foi um médico de profissão e político, ligado ao Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA, onde participou activamente na Luta de Libertação de Angola.

É uma figura incontornável da história de Angola, pela sua grande contribuição política, social e económica no país. A 11 de Novembro de 1975, Agostinho Neto usou a sua voz e a sua inteligência política, para proclamar ao Mundo e à África a Independência de Angola, como uma Nação Una e Indivisível, usando o tão conhecido slogan “De Cabinda ao Cunene, do Mar ao Leste, um só povo, uma só nação… Angola avante”.

Apesar do pouco tempo que teve na liderança política de Angola, Agostinho Neto participou de várias reformas sociais e económicas que Angola conheceu, após o fim do regime colonial e a construção da primeira República, sob a denominação “República Popular de Angola”, um regime que existiu em Angola até 1991, período em que se deu o fim do regime monopartidarista e a implementação do multipartidarismo.

Nos dias de hoje, Agostinho Neto é lembrado como “O Herói Nacional”, uma figura importantíssima no cenário político Angolano e Africano. Por sua vez, o 17 de Setembro é o dia do Herói Nacional.

Com o Neto no Coração, vamos reviver a nossa Angola e o respeito pelas nossas figuras históricas.

“ Bem-haja, António Agostinho Neto, pelo seu legado político, que visava sobretudo a construção de uma Angola para todos os Angolanos.”

Por: João Reis António

 

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