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Mário Oliveira realça papel das estações sísmicas na protecção das populações

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O papel das estações sísmicas na protecção das populações, das infra-estruturas e estudos científicos, foi realçado, esta sexta-feira, pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira.

Mário Oliveira falava na cerimónia de entrega oficial de sensores no âmbito do projecto de ampliação da rede sísmica de Angola, uma doação do Governo da República da Coreia.

Segundo o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, até à data já foram instaladas sete estações sísmicas de última geração em províncias estrategicamente seleccionadas, nomeadamente Lunda-Norte, Malanje, Bengo, Cuanza-Sul, Moxico, Huambo e Huíla.

“Estas estações operadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica têm permitido dar os primeiros passos para vigilância sísmica do território nacional”, explicou.

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18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

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Monumentos e Sítios, conceito

Monumento e Sítio são dois tipos de patrímonio cultural. A diferença entre ambos está no seu tamanho e no tipo de valor que representam, tanto a nível histórico, social como cultural.

Por exemplo, entendemos que o Monumento é uma obra arquitectónica ou estrutura construída pelo homem e que possui valor histórico, artístico, científico e social. Por sua vez, o Sítio é uma área ou lugar alargado ou ainda, mais amplo onde há evidências da actividade humana ou da própria natureza e que, normalmente, possui um certo valor histórico, arqueológico, etnológico e paisagístico.

Dados históricos.

Coincidentemente, a chegada a Angola, em visita, do santo Papá Leão XIV, o terceiro Papá da história da igreja católica a visitar o País, no dia Internacional dos Monumentos e Sítios, talvez seja uma forma de atribuir bênçãos aos Monumentos e Sítios de Angola, abrindo caminhos e criando expectativa de outros visitantes do mundo.

A luz do assunto em análise, importa referir que o dia Internacional dos Monumentos e Sítios é celebrado a 18 de Abril em todo o mundo. De acordo com fontes, a data foi criada pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios no dia 18 de Abril de 1982, e no ano seguinte, isto é, em 1983, a UNESCO aprovou oficialmente a data com o propósito de proteger, valorizar e divulgar o valor histórico e cultural destes lugares diante das comunidades.

Para o caso concreto de Angola, conta-se que a data é igualmente celebrada com o intuito de reconhecer e divulgar o valor histórico-cultural desses lugares diante de toda a comunidade, quer estrangeira quer nacional, sendo uns de carácter físico, quando se trata daqueles monumentos de produção humana, e outros de produção natural e devidamente protegidos pelos homens, dada a sua importância, entre os quais destacam-se: museus, fortalezas, palácios, igrejas, edifícios coloniais antigos, pinturas rupestres, centros históricos de cidades e parques nacionais com um certo valor cultural.

No grupo dos Monumentos e Sítios que existem em Angola, podemos a título de exemplo citar alguns como: a Fortaleza de São Miguel, actual museu das Forças Armadas Angolanas, localizada em Luanda; a Fortaleza de São Pedro da Barra, localizada em Luanda; a Fortaleza do Ambriz na província do Bengo; a Fortaleza de Kambambe, no Cuanza Norte; a Fortaleza de São Filipe, em Benguela; as Igrejas do Carmo, Nazaré e Remédios, localizadas em Luanda; vários edifícios coloniais antigos, entre eles, o Palácio Dona Ana Joaquina, o Palácio de Ferro e outros. Temos ainda a destacar o museu do Dundo, na Lunda Norte e o Sítio histórico de Tchitundo-Hulo, no Namibe.  

Importância histórico – cultural.

Importa realçar que os monumentos e sítios destacados no texto e outros, são todos de extrema importância e representam símbolos de identidade e unidade cultural. Por esta razão, são protegidos pelo Estado, uma vez que conservam a história e a identidade do povo Angolano. É de referir ainda que em Angola estão registados pelo Instituto Nacional do Património Cultural cerca de 321 Monumentos e Sítios, devidamente classificados como Património Histórico-Cultural Nacional e que fazem parte do acervo histórico do povo Angolano.

Em jeito de conclusão sobre o assunto, temos a referir que tendo em atenção o valor e a importância histórica, cultural e social que estes espaços representam, deve haver maior interesse e cuidado na conservação destes lugares, não só do Estado, mas também da parte de todos que, dia após dia, frequentam estes lugares, visto que cada um que visita estes espaços encontra neles uma forma de viver e reviver a nossa história e a nossa identidade socio-cultural, num perfeito cruzamento entre o presente e o passado e vice-versa.       

Por: João Reis António

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Reflexões sobre o dia da Juventude Angolana

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 Contexto histórico

Tal como se costuma dizer que a paz é “o bem mais precioso de um povo”, o mesmo se pode afirmar da juventude, que é “a força motriz de qualquer nação do mundo”. Na juventude, reside a esperança e a formação de uma sociedade melhor no futuro em todas as suas dimensões: política, social, económica, cultural e humana.

No contexto mundial, o Dia da juventude é celebrado a 12 de Agosto, desde 1999, período em que a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a data com o propósito de focar as suas atenções na educação e na consciencialização dos jovens sobre as suas responsabilidades, enquanto representantes do futuro do planeta.

Diante deste propósito, as Nações Unidas, como entidade com grande responsabilidade no mundo, rapidamente percebeu que era preciso entender os problemas da juventude e promover políticas que pudessem ajudar na resolução destes problemas em todo o mundo.

Em Angola, o dia da juventude é celebrado a 14 de Abril desde 2010, quando a Assembleia Nacional instituiu de forma oficial a data como o “Dia da Juventude Angolana”, como forma de promover a consciencialização dos jovens sobre os desafios e os problemas que a juventude enfrenta no seu dia-dia, fortalecendo a participação e a contribuição dos jovens na sociedade e o seu papel no desenvolvimento de Angola.

Importa ainda destacar que o “14 de Abril” é reconhecido como o “Dia da Juventude Angolana”, em homenagem ao herói nacional Hoji –Ya – Henda, um jovem combatente angolano, que tinha sido morto neste data, pelas forças coloniais em 1968. Por sua vez, o Conselho Nacional da Juventude (CNJ), já em 2005, havia aprovado a data como forma de enaltecer o papel da juventude na sociedade. É sabido que esta data carrega, um certo pendor político, razão pela qual não reúne consenso no seio da juventude.

Contudo, é importante realçar que o “14 de Abril” foi instituído pela Assembleia Nacional em 2010 a meio de um contexto de Paz, Unidade e Reconciliação Nacional, onde cada jovem pudesse rever-se e encontrar nesta data o caminho da união e o espírito patriótico, sem olhar para as diferenças política, religiosa, étnica, racial e de cor.

Daí a necessidade de se preservar e valorizar o 14 de Abril como um símbolo de reconhecimento da juventude angolana.

Desafios

Passados 16 anos desde a sua institucionalização, nos dias de hoje, são muitos os desafios que a juventude angolana enfrenta, sobretudo no que diz respeito à realização e concretização dos seus sonhos, os quais estão inteiramente ligados ao desenvolvimento económico e social de Angola. Outros desafios, não menos importantes, prendem-se com o conhecimento e o reconhecimento da história de Angola.

Alguns especialistas no campo das Ciências Sociais, entre os quais historiadores, sociólogos, antropólogos e investigadores culturais, apontam que a falta do conhecimento e do reconhecimento da história de Angola constitui uma das maiores preocupações e desafios da juventude angolana na actualidade.

Estudos efectuados em meios sociais revelam que grande parte da nossa juventude não conhece a história de Angola ou, pelo menos, não mostra interesse pelo seu estudo, nomeadamente no que se refere aos três grandes períodos: o Pré-colonial, o Colonial e o Pós-colonial, bem como às nossas origens, hábitos e costumes, as lutas do povo angolano no alcance da independência contra o domínio colonial português, o contexto da Guerra Civil até à conquista da paz efectiva, em 2002.

 Por este motivo, sugerimos a introdução do ensino da História de Angola nas diferentes áreas de formação, nomeadamente nas Ciências Económicas e Jurídicas, Ciências Humanas, Físicas e Biológicas, Engenharias e outras.

Na perspectiva dos especialistas, a falta de conhecimento da História de Angola por parte dos jovens, futuramente, coloca em risco a nossa própria identidade cultural, sociológica e antropológica, diante de um mundo globalizado, dominado pelas novas tecnologias de informação e pelos meios de difusão massiva, bem como pela constante influência cultural externa que o país sofre todos os dias. 

Dificuldades

São enormes as dificuldades que a juventude angolana enfrenta nos dias de hoje, desde o acesso à escola, em busca de uma formação integral capaz de enfrentar os desafios sociais num mundo moderno, o acesso ao emprego e outras oportunidades sociais que possam garantir estabilidade emocional e esperança de um futuro melhor para os jovens e para o próprio país.

Com base nestas dificuldades, apela-se às entidades de direito e às organizações juvenis a velarem pelos direitos dos jovens em Angola e o seu devido enquadramento no processo produtivo, aproveitando a vasta força e capacidade de trabalho dos jovens, que ao nosso entender, têm sido subaproveitados.

Por outro lado, apela-se igualmente à necessidade de se criarem políticas concretas direccionadas aos jovens para o seu melhor aproveitamento, de modo que cada um possa sentir-se enquadrado e parte desta imensa e amada pátria, que se chama Angola.

Com tudo quanto foi exposto ao longo deste texto, podemos concluir, afirmando que a juventude é a força e a esperança do amanhã e de uma Angola melhor. Valorizar o “14 de Abril” é divulgar o poder e a força da juventude angolana. Que haja mais liberdade, democracia e trabalho para o bem de Angola.  

Por: João Reis António

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4 de Abril em Angola: Impacto e Perspectivas na História Contemporânea de Angola

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Antecedentes históricos.

A história contemporânea de Angola é revestida de vários acontecimentos políticos, económicos, sociais e culturais. Um percurso que historicamente se pode considerar como tendo o seu ponto de partida o ano de 1975 e a ruptura da Administração colonial portuguesa, marcada pelo advento da Proclamação da Independência Nacional e a implantação da Primeira República, denominada “República Popular de Angola”.

Esta etapa da história contemporânea de Angola teve a duração de 15 anos, dominada por um sistema de governo monopartidarista, baseado num tipo de governo de partido único sob a lideração do MPLA, que se apresentava como o único representante legítimo do povo angolano interna e externamente.

Com a assinatura dos Acordos de Bicesse, Maio de 1991, e as transformações políticas e sociais que ocorreram em Angola, o país conheceu um novo sistema de governo, baseado no multipartidarismo, tendo adoptado o modo de produção económico e um estilo liberalista. Em 1992, ocorreram em Angola as primeiras eleições gerais e multipartidárias que contaram com a participação activa da população.

Após a publicação dos resultados das eleições, sob observação directa da Organização das Nações Unidas, representada pela Secretária Geral, Margaret Anstee, de nacionalidade britânica, o MPLA e o seu candidato José Eduardo dos Santos foram os grandes vencedores. Por insatisfação dos resultados, a UNITA e o seu líder, Jonas Savimbi, contestaram os resultados oficialmente divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral.

Entretanto, o país seguiu rumo ao futuro, a meio de uma guerra civil entre a UNITA e o MPLA, resultante das divergências políticas e as profundas influências externas que qualquer um dos dois grupos políticos sofria dos seus aliados.

Diante destes acontecimentos, é importante realçar que a guerra civil em Angola encontrou o seu fim em 2002, após a morte em combate de Jonas Savimbi, o então presidente da UNITA e a posterior assinatura dos acordos de paz efectiva para Angola, celebrados a 4 de Abril de 2002. É sobre o 4 de Abril em Angola que pretendemos abordar neste texto.

O 4 de Abril enquadra-se no campo da história política e militar angolana. A data resulta de uma acção político-militar que ocorreu no ano de 2002, marcando o fim de um longo período de guerra com a duração aproximada de cerca de 27 anos. As divergências políticas, bem como o desejo de alcançar o poder em Angola pelo MPLA e pela UNITA são historicamente apontadas como a base deste conflito.

Entretanto, em 2002, morre em combate, Jonas Savimbi, o líder histórico e fundador da UNITA, na região de Lucusse, a cerca de 138 km da cidade do Luena, na província do Moxico. Após os acontecimentos de 22 de Fevereiro, observou-se a 31 de Março do mesmo ano, na cidade do Luena, um encontro entre as chefias militares do Governo Angolano (FAA) e as chefias militares do braço armado da UNITA (FALA).

Deste encontro, produziram-se deliberações que viriam a determinar o futuro político e militar de Angola, que passava sobretudo pela criação de um Exército único para Angola, a desmobilização em massa e a desmilitarização da UNITA e a consequente integração dos antigos militares das FALA no exército nacional. O encontro do Luena ficou conhecido como “ Memorando de Entedimento”, que na prática era a continuidade dos anteriores acordos assinados entre o Governo e a UNITA, entre os quais, os acordos de Lusaka-Zâmbia, em Novembro de 1994.

A assinatura do Memorando de Entedimento do Luena foi um passo importante na concretização dos acordos de paz efectiva para Angola, que viria a acontecer no dia 4 de Abril de 2002, no antigo edíficio da Assembleia Nacional, em Luanda, nas imediações da Mutamba, rua do 1º Congresso do MPLA, sob o olhar atento do então Presidente da República de Angola, Eng. José Eduardo dos Santos. Seus assinantes foram os generais Abreu Munhengo Ucuatchitembo (Camorteiro) em representação das FALA e Armando da Cruz Neto, antigo chefe do Estado Maior General das FAA.

Este acto ocorreu na presença de vários observadores nacionais e internacionais, membros do Governo de Angola e outras entidades políticas Angolanas. Após a troca das pastas entre as partes, estava concretizado o compromisso com os acordos de paz efectiva para Angola, entre a UNITA e o Governo Angolano.

Impacto

O impacto do 4 de Abril em Angola é, até aos dias de hoje, bem visível, na medida em que seus resultados permitiram que em Angola fosse possível a criação de um governo único em tempo de paz, um Governo de Reconciliação e Unidade Nacional em toda a extensão do território nacional, nos diferentes domínios: político, económico, sociai e cultural. Permitiu, igualmente, a criação de um forte Estado de Direito e com o verdadeiro sentido de nação e patriotismo.

Permitiu a reabilitação de estradas e a circulação de pessoas, bens e serviços destinados à satisfação das necessidades de toda a população; reabilitação de infra-estruturas sociais (públicas e privadas), sobretudo escolas e hospitais; a construção de novos centros urbanos em quase todo o país; criação de novas indústrias e a promoção dos trabalhos em zonas rurais, para incentivar a prática da agricultura de pequeno e médio porte, destinada à produção e distribuição de produtos para o mercado interno e externo e outras actividades rurais.

Perspectivas

Passados 24 anos da assinatura dos acordos de paz efectiva para Angola, em Abril de 2002, da parte dos angolanos, a expectativa é tão grande. Pensa-se que tudo que já foi feito pelo governo ainda não é satisfatório para o bem-estar da população, que esperava ver os seus problemas de base ou pelo menos, parte dos seus problemas resolvidos, fosse no campo político, económico ou social.

Acima de tudo, o país precisa implementar políticas públicas que possam contribuir para o rápido crescimento social e o desenvolvimento económico, eliminando qualquer tipo de barreira que possa impedir o avanço económico do país a curto e médio prazo. Criar mais indústrias, mais empregos para a população jovem e reduzir a pobreza, melhorando os serviços básicos para promover qualidade de vida, aumento salarial e proporcionar maior dignidade socio-económica da população em todo o território nacional. Tem de haver maior aposta na formação do homem para garantir a continuidade e o melhoramento dos projectos futuros: escolas e hospitais de qualidade para todos, bem como garatir que nestes locais possam existir quadros capazes de dar respostas aos desafios do país, perante o mundo exterior.     

Conclusão

Tendo em conta os assuntos abordados ao longo deste texto, podemos concluir a nossa abordagem destacando o seguinte: a paz é o bem mais precioso que um povo merece. Com a paz, uma sociedade pode encontrar caminhos para o seu desenvolvimento.

Apesar dos avanços registados, há a necessidade de se criar planos e projectos que promovem o crescimento e o desenvolvimto a curto e médio prazo. Em Angola, o 4 de Abril é visto como um dos momentos mais brilhantes da sua história contemporânea em todos os domínios. Por esta razão, o seu impaco, alinhado às suas perspectivas, são até hoje bem visíveis.

É importante salientar que a paz que se vive hoje em Angola, permitiu aos angolanos construir uma consciência política e social colectiva capaz de manter o povo angolano unido e sem qualquer distinção de raça, cor, religião, etnia e grupo político.

Por: João Reis António, Mestre em Ciências da Educação, ISCED-Luanda.

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